Durante o mês de setembro, o Setembro Lilás chama a atenção para a doença de Alzheimer e outras formas de demência. Mais do que falar sobre memória, a campanha traz uma mensagem muito importante: demência não é uma consequência normal do envelhecimento e o diagnóstico faz diferença.
Ainda existe a ideia de que esquecer muito, ficar confuso ou perder progressivamente a capacidade de realizar determinadas atividades seriam acontecimentos naturais da idade. Não são.
O envelhecimento pode trazer algumas mudanças na velocidade de raciocínio ou na facilidade de lembrar determinadas informações. Mas quando as alterações passam a interferir na rotina, no comportamento, na capacidade de organizar tarefas ou na independência da pessoa, é importante investigar.
O Brasil ainda diagnostica muito pouco as demências
O Relatório Nacional sobre a Demência, publicado pelo Ministério da Saúde, trouxe um dado preocupante: estima-se que aproximadamente 80% das pessoas que vivem com demência no Brasil ainda não tenham recebido um diagnóstico formal.
Isso significa que milhares de famílias podem estar convivendo durante meses ou anos com alterações cognitivas sem compreender exatamente o que está acontecendo.
O problema não ocorre apenas porque os primeiros sintomas podem ser discretos. O próprio relatório aponta dificuldades como desconhecimento da população, falta de treinamento específico sobre demências durante a formação dos profissionais de saúde e dificuldade de acesso a serviços preparados para realizar esse tipo de avaliação.
Por isso, diante da suspeita de alteração cognitiva, procurar uma avaliação adequada pode fazer toda a diferença.
A doença de Alzheimer é a causa mais conhecida de demência, mas não é a única
Existem diferentes condições capazes de provocar comprometimento cognitivo, entre elas:
- Doença de Alzheimer;
- Demência vascular;
- Demência com corpos de Lewy;
- Demência frontotemporal;
- Doenças associadas ao Parkinson;
- Além de outras condições neurológicas e clínicas.
E existe um aspecto ainda mais importante: nem toda queixa de memória significa demência.
Depressão, alterações do sono, efeitos de medicamentos, hipotireoidismo, deficiência de determinadas vitaminas e outras doenças podem produzir sintomas semelhantes. É justamente por isso que uma avaliação cuidadosa é tão importante.
Demência não significa apenas perda de memória! Quais sinais merecem atenção?
Algumas mudanças devem levar a família a procurar avaliação, principalmente quando são progressivas ou começam a interferir no cotidiano:
Esquecimento frequente de acontecimentos recentes
A pessoa repete perguntas, esquece conversas recentes ou compromissos importantes.
Dificuldade para organizar atividades que antes eram simples
Administrar contas, utilizar aplicativos, preparar refeições ou organizar medicamentos passa a exigir ajuda.
Desorientação
Pode haver dificuldade para localizar-se em lugares conhecidos ou confusão em relação a datas e horários.
Mudanças de comportamento ou personalidade
Apatia, irritabilidade, desconfiança, isolamento ou comportamentos incomuns podem aparecer antes mesmo de alterações importantes da memória.
Dificuldade com palavras ou raciocínio
A pessoa começa a ter maior dificuldade para acompanhar conversas, encontrar palavras ou resolver problemas.
Perda progressiva de autonomia
Talvez este seja um dos sinais mais relevantes. Atividades que anteriormente eram realizadas de forma independente começam a depender da ajuda de outra pessoa.
Nenhum desses sinais, isoladamente, confirma uma demência. Eles indicam que vale a pena investigar!
Por que diagnosticar mais cedo?
Algumas pessoas evitam a avaliação por medo do diagnóstico. Mas descobrir o que está acontecendo não significa apenas dar um nome a uma doença.
Um diagnóstico em momento adequado permite:
- Identificar causas tratáveis;
- Iniciar o tratamento quando indicado;
- Controlar doenças que podem acelerar o declínio cognitivo;
- Orientar atividade física, alimentação, sono e estimulação cognitiva;
- Revisar medicamentos;
- Preservar a autonomia pelo maior tempo possível;
- Orientar familiares e cuidadores;
- Organizar questões financeiras e jurídicas;
- Planejar com antecedência os cuidados futuros.
Além disso, os avanços recentes na investigação e no tratamento da doença de Alzheimer tornam cada vez mais importante reconhecer a doença em suas fases iniciais.
Diagnóstico não significa fim de possibilidades. Muitas vezes, significa exatamente o contrário: é o começo de um cuidado mais bem organizado.
Dependendo de cada caso, a avaliação pode envolver testes cognitivos, exames laboratoriais, exames de imagem e avaliação neuropsicológica.
Quanto mais cedo compreendemos a doença, maiores são as possibilidades de oferecer cuidado, preservar autonomia e preparar a família para cada etapa.
Não é “apenas a idade”
Quando existe uma mudança significativa de memória, comportamento ou capacidade de realizar as atividades do dia a dia, é importante investigar.
No Instituto Reage, a avaliação das alterações da memória e das demências é realizada dentro de uma abordagem especializada em Geriatria e Neurologia, buscando não apenas chegar a um diagnóstico, mas compreender como aquelas alterações estão afetando a vida do paciente e de sua família.
Neste Setembro Lilás, fica uma mensagem simples: perceber os sinais é importante. Procurar ajuda especializada também.
Quanto mais cedo entendemos o que está acontecendo, mais cedo podemos começar a cuidar.
Dr. Gustavo Maciel Gouvêa – Responsável Técnico – Geriatra e Clínico Geral CRM/SC 11852
Drª. Francisca M. Scoralick – Geriatra e Clínica Geral CRM/SC 18601
Dr. Wladimir Kummer de Paula – Neurologista CRM/SC 18221