A carência nutricional mais comum é a deficiência de ferro, que acontece principalmente em países em desenvolvimento. É considerada um problema de saúde pública.
Esta carência de ferro é conhecida como anemia por deficiência de ferro ou ferropenia. É considerada a mais comum das carências nutricionais do mundo, sendo que entre as principais causas estão a má absorção do mineral ferro, a baixa ingestão de alimentos ricos em ferro, a perda aguda de sangue e a perda crônica de sangue.
O ferro é um mineral vital para o organismo; ele é necessário para o transporte de oxigênio e para o metabolismo energético. Um indivíduo adulto tem no seu organismo de 4 g a 5 g de ferro, sendo cerca de 2,5 g na forma de hemoglobina (célula vermelha do sangue que carrega o oxigênio).
Além do fator de carência nutricional ocasionado pela dificuldade no acesso à alimentação adequada, causada por questões socioeconômicas de famílias vulneráveis, também está presente o fator de deficiência vitamínica causada por dietas de caráter vegetariano e/ou vegano.
A principal fonte de vitamina B12, ferro e outras vitaminas e minerais essenciais é obtida através da ingestão de alimentos de origem animal. As dietas vegetarianas e veganas, quando executadas de forma errônea, podem acarretar uma carência que, consequentemente, pode causar uma anemia por deficiência de ferro. Estudos demonstram que vegetarianos e veganos, apesar de terem acesso ao ferro, à vitamina C e à B12 via alimentos vegetais, necessitam de uma nutrição com uma maior presença desses nutrientes; mas, como não obtêm o suficiente, possuem uma menor quantidade de vitamina B12 e estoques de ferro, o que pode acarretar, a longo prazo, uma baixa na hemoglobina e, por consequência, a anemia.
A anemia ferropriva apresenta alguns sinais que são parecidos com os de outros tipos de anemia. Sendo eles os mais comuns: fraqueza muscular, descoloração da pele, dor de cabeça, tonturas, vertigens, falta de ar, irritabilidade, déficit de atenção e deficiências psicomotoras.
Devido à grande problemática que essa patologia acarreta às pessoas, estudos recomendam que a terapêutica no primeiro estágio do desenvolvimento da doença seja a implementação do sulfato ferroso por via oral.
A alimentação é a principal fonte de suplementação correta. Através dos alimentos ricos em ferro, como carnes vermelhas, feijão, brócolis, couve e espinafre, e de seguir orientações sobre uma dieta saudável, temos medidas que devem ser associadas ao uso dos medicamentos.
A deficiência de ferro acarretará consequências para todo o organismo, sendo a anemia a manifestação mais relevante. Por outro lado, o acúmulo ou excesso de ferro é extremamente nocivo para os tecidos. Portanto, é necessário que haja um perfeito equilíbrio no metabolismo do ferro, de modo que não haja falta ou excesso do mesmo. Essa homeostase vai possibilitar a manutenção das funções celulares essenciais e, ao mesmo tempo, evitar possíveis danos teciduais.
O intestino absorve cerca de 1 mg a 2 mg de ferro por dia. Uma dieta normal contém de 13 mg a 18 mg de ferro, dos quais somente 1 mg a 2 mg serão absorvidos. Alguns fatores favorecem a absorção intestinal, como a acidez e a presença de agentes solubilizantes, como açúcares. A quantidade de ferro absorvida é regulada pela necessidade do organismo. Assim, em situações em que há falta de ferro ou aumento da necessidade (gravidez, puberdade), há uma maior absorção do mineral.
A deficiência de ferro ocorre quando a quantidade absorvida não é capaz de suprir a necessidade do organismo e/ou de repor a perda sanguínea adicional; isso se deve a diversos fatores.
Fatores relacionados à dieta:
Uma dieta não balanceada, ou seja, com baixa disponibilidade de ferro, cuja quantidade absorvida varia entre 20% e 30% do total de ferro ingerido (quando de origem animal), enquanto a absorção do ferro de origem vegetal varia entre 1% e 7%. Indivíduos vegetarianos, principalmente mulheres em idade reprodutiva, têm mais chances de apresentar deficiência de ferro, assim como os idosos e pessoas com doenças psiquiátricas (demência).
Uso de antiácidos, que são os medicamentos para azia e refluxo; ingestão de fitatos (cereais integrais, leguminosas, sementes); fosfatos (refrigerantes, processados, carnes industrializadas); oxalatos (espinafre, beterraba, cacau, chás) e o tanino presente no café, chá preto, chá verde e vinho tinto. Todos esses diminuem a absorção de ferro.
Todos os tipos de sangramentos podem causar anemia, sejam por um fluxo menstrual elevado, sejam por sangramentos no estômago ou intestino, causados por úlceras, tumores, infecções pelo Helicobacter pylori, doença celíaca, hemorroidas, entre outros.
Infecções por parasitas, uso de aspirina, anti-inflamatórios não hormonais e anticoagulantes também estão entre as causas de anemia ferropriva.
Entre outras causas, damos destaque às pessoas que se submeteram à cirurgia bariátrica.
A deficiência de ferro desenvolve-se, na maioria das vezes, de maneira lenta e progressiva. A presença de anemia e de ferritina sérica menor que 12 ng/mL praticamente confirma o diagnóstico de anemia ferropênica.
Enfª Vivian Ellen Tácito Gouvêa
Enfermeira e Gerente Administrativa COREN/SC 110833
Referências
- CANÇADO, Rodolfo D.; CHIATTONE, Carlos S. Anemia ferropênica no adulto: causas, diagnóstico e tratamento. Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, v. 32, n. 3, 2010. DOI: https://doi.org/10.1590/S1516-84842010005000075.
- TEIXEIRA, André Luiz Gomes; MORAIS, Melissa Grazielle; REIS, Stéfany dos; BRAGA, Yasmim Aurora Vieira; GOULART, Mirian Oliveira; PERINA, Keity Cristina Bueno. Anemia ferropriva: aspectos clínicos, diagnósticos e terapêuticos. Revista de Medicina (São Paulo), v. 103, n. 2, mar./abr. 2024. DOI: http://dx.doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v103i2e-221582.
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