Você já pensou como será quando for mais velho? Não? Vamos iniciar esta viagem de informações juntos…
Você sabia que, em 1900, apenas cerca de 4% da população americana tinha 65 anos ou mais? Já em 1950, ou seja, 50 anos depois, a proporção era de 8% e, nos anos 2000, atingia a proporção de 12%. O principal grupo de idosos, que vem aumentando neste processo de envelhecimento, é o de 80 anos ou mais.
Entre os países da Europa, a Itália e a Alemanha são os dois com o maior número de pessoas idosas, sendo cerca de 19% cada. As estimativas apontam que, por volta de 2030, um em cada quatro europeus terá 65 anos ou mais.
No Brasil, segundo os dados disponíveis, o envelhecimento da população inicia-se mais intensamente a partir da década de 40. A partir dessa década, as taxas de mortalidade dos brasileiros começam a cair, especialmente entre as crianças; por outro lado, as taxas de natalidade eram elevadas. As famílias tinham, em média, seis filhos. A população brasileira crescia rapidamente. Mas, a partir de 1960, as taxas de nascimento das crianças começaram a diminuir e, a partir de 2012, as famílias tinham em média apenas 1,7 filho (Camarano, Kanso e Fernandes, 2014). A expectativa de vida ao nascer saltou de 54 anos em 1960 para 76 anos na atualidade (Banco Mundial, 2022). Para que uma população envelheça, ela também deverá ter taxas de mortalidade baixas desde a infância até a fase adulta jovem, para que as pessoas tenham a chance de ficarem mais velhas. Todas essas mudanças conduziram o Brasil a um envelhecimento rápido da população.
Em 2022, no Brasil, a porcentagem de pessoas com 65 anos ou mais chegou a 10,9% da população, um aumento de 57% comparado a 2010, quando eram 7,5% (Censo IBGE, 2022). Detalhe: este processo ainda não acabou e acredita-se que, em 2031, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais será maior do que a de crianças de 0 a 14 anos.
Portanto, caso você conheça hoje alguma pessoa de 80 anos ou mais, saiba que ela nasceu provavelmente na década de 40, justamente quando o Brasil deu a largada no rápido processo de envelhecimento. Obviamente, essas pessoas de 80 anos ou mais sobreviveram a condições de vida ruins: mortalidade infantil elevada, mortes por doenças infecciosas, más condições de higiene, alimentação precária, ausência de acesso a serviços de saúde, ausência de programas de vacinação, ausência de tratamentos adequados para as doenças, além de acidentes fatais nas atividades de trabalho que realizavam, entre outras limitações.
Todo esse envelhecimento que vivemos não é igual. Sim, ele ocorre de maneira diferente dependendo de muitos motivos: se você nasceu homem ou mulher, em que década nasceu, onde nasceu e cresceu (área rural, cidade, estado do Brasil), quais condições sua família tinha (renda familiar), o nível de escolaridade e como você realizou, ao longo da vida, medidas de prevenção a doenças (alimentação saudável? fuma ou fumou? etilismo? praticou ou pratica esportes? tratou ou trata doenças graves?). Este verdadeiro caldeirão irá permitir ou não que o seu envelhecimento (que é inevitável, como escrito antes) ocorra da melhor maneira possível ou cheio de problemas.
Um detalhe interessante é a chamada feminização do envelhecimento, ou seja, as mulheres proporcionalmente vivem mais do que os homens. Para se ter uma ideia, para cada grupo de 100 mulheres com 60 anos ou mais, existem 79 homens. Fica muito claro que a mortalidade entre os homens é maior, e muitas são as causas. Essa informação pode ser verificada ao vivo em festividades pessoais ou familiares, salas de café, encontros de amigos, bailes, praças, ruas, enfim, onde houver pessoas idosas, lá teremos sempre mais idosas!
Outro detalhe que chama a atenção é relacionado à diversificação no envelhecimento por regiões do Brasil, sendo as regiões Sudeste e Sul as que apresentam as maiores proporções de pessoas com 65 anos ou mais, atingindo cerca de 12% da população total. Já nas regiões Norte e Nordeste, essa mesma avaliação aponta apenas cerca de 7% a 9% de pessoas com 65 anos ou mais.
Com todo esse cenário, vocês podem estar pensando agora que as causas de morte também devem ter mudado no Brasil, correto? Sim! Quando uma população está envelhecida, as principais causas de morte não são mais infecções, por exemplo, mas sim doenças que não têm cura, como o AVC (derrame cerebral), infarto cardíaco, cânceres e mortes externas violentas (homicídio, latrocínio, suicídio, etc.).
Ao ler este blog até aqui, espero que não fique preocupado, mas entenda que o processo de envelhecimento não irá parar entre nós, brasileiros, e nem nos outros países. Portanto, sinta-se desafiado a buscar informações, discutir as melhores escolhas e os melhores caminhos para um envelhecimento bem-sucedido. Busque por um profissional que possa orientá-lo corretamente: o médico geriatra especializou-se nisso.
Lembrete final: “O único modo de não envelhecer, infelizmente, é morrendo ainda jovem. Neste caso, você não terá vivido todas as fases da vida e ainda não assistirá à chegada dos seus netos, que permitiriam a você brincar novamente como uma criança.”
Dr. Gustavo Maciel Gouvêa, médico geriatra, CRM-SC: 11852
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